O Leão que pensava ser Ovelha. (Parábola)

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Texto retirado de “O Livro da Sua Vida” Osho

“Há uma antiga parábola no Oriente na qual uma leoa saltava de morro em morro quando, justamente entre dois deles, deu à luz um filhote. O filhote caiu na estrada onde estava passando um grande rebanho de ovelhas. Ele naturalmente se misturou às ovelhas, passou a viver entre elas e começou a se comportar como uma ovelha.

Não fazia ideia, nem mesmo imaginava em seus sonhos, que era um leão. Como poderia saber?

Todos em volta dele eram ovelhas e nada mais. Ele nunca tinha rugido como um leão; uma ovelha não ruge. Nunca tinha vivido sozinho como um leão; uma ovelha nunca vive sozinha. Ela fica sempre com o rebanho, o rebanho é aconchegante, seguro, livre de perigos. Se você reparar, verá que as ovelhas andam tão juntas que quase tropeçam umas nas outras. Elas tem medo de ficar sozinhas.

Mas o leão começou a crescer. Era um fenômeno estranho. Mentalmente, ele estava identificado com as ovelhas, mas biologicamente contrariava essa identificação; a natureza não acompanha a mente. Ele se tornou um belo leão, mas como as coisas foram acontecendo aos poucos, as ovelhas se acostumaram a ele, assim como ele tinha se acostumado a elas.

As ovelhas achavam que ele era um pouco esquisito, é claro. Ele não se comportava da maneira certa, era meio maluco, a continuou a crescer.

Não se esperava que isso acontecesse. Ele estava fingindo que eras um leão! Mas elas sabiam que ele não era; elas o conheciam desde que nascera. Tinham cuidado dele e o amamentado também. Por natureza, ele era carnívoro, nenhum leão é herbívoro, mas esse leão era, porque as ovelhas são herbívoras. Ele costumava comer capim com grande alegria.

Elas aceitavam essas pequenas diferenças, o fato de ele ser um pouquinho grande e ter a aparência de um leão. Uma ovelha muito esperta um dia disse, “Ele é só uma aberração da natureza, de vez em quando acontece”.

E o próprio leão aceitava isso como se fosse verdade. A sua cor era diferente, o seu corpo era diferente, ele devia ser uma aberração, uma anomalia. Mas a ideia de que ele era um leão lhe parecia impossível! Todas aquelas ovelhas em volta dele, e as ovelhas psicanalistas deram à ele explicações.

“Você é só uma aberração da natureza. Não se preocupe. estamos aqui para cuidar de você”.

Mas um dia um velho leão passou pelo lugar e viu esse jovem leão no meio do rebanho, destacando-se entre as ovelhas. Ele mal pôde acreditar em seus olhos! Nunca tinha visto coisa parecida nem jamais ouvido falar, em toda a sua vida, da história de um leão que vivesse em meio às ovelhas sem lhes causar nenhum medo. E o leão se movia exatamente como as ovelhas, comendo capim.

O velho leão não podia acreditar no que via. Até se esqueceu de que ia caçar uma ovelha para o café da manhã. Esqueceu-se completamente do café da manhã. Aquilo era tão estranho que ele estava determinado a capturar aquele jovem leão e descobrir o que estava acontecendo.

Mas ele já era velho e o leão quase um filhote, ele conseguiu fugir. Embora acreditasse que era uma ovelha, diante do perigo ele se esqueceu dessa identificação. Correu como um leão e não deixou que o outro o alcançasse.

Finalmente, o velho leão conseguiu capturá-lo. O leãozinho chorava e dizia, “Por favor, me perdoe. Eu sou uma pobre ovelha. Solte-me, eu imploro!”

 O velho leão disse, “Seu idiota! Pare com essa bobagem e venha comigo até o lago”. Ali perto havia um lago. Ele o levou até lá. O leãozinho relutou um pouco, mas acabou concordando a contragosto.

O que ele, uma simples ovelha podia fazer contra um leão?

Ele poderia matá-lo caso não fosse, então concordou. O lago era tranquilo, sem ondulações, quase um espelho.

O velho leão disse ao outro, “Olhe aqui. Olhe a minha cara e olhe a sua. Olhe o meu corpo e olhe o seu, refletido na água”.

No mesmo instante ouviu-se um enorme rugido! As colinas ecoaram. A ovelha desapareceu; ele era um ser completamente diferente, reconheceu a si próprio. A identificação com a ovelha não era uma realidade, era só um conceito mental. Agora ele tinha visto a realidade. O velho leão concluiu, “Não preciso dizer mais nada. Você entendeu”.

O jovem leão sentia uma energia estranha que nunca sentira antes, como se até então ela estivesse adormecida. Ele podia sentir um poder colossal, embora antes fosse apenas uma ovelhinha fraca e humilde. Toda a sua humildade e a sua fragilidade simplesmente evaporaram.

Essa é uma antiga parábola sobre o mestre e o discípulo. A função do mestre é apenas levar o discípulo a ver quem ele é e constatar que a imagem que tem de si próprio não é verdadeira.

A sua mente não foi criada pela natureza. Procure fazer sempre esta distinção: o seu cérebro foi criado pela natureza. O seu cérebro é um mecanismo que pertence ao corpo, mas a sua mente foi criada pela sociedade à qual você pertence. Pela religião, pela igreja, pela ideologia que os seus pais seguiam, pelo sistema educacional que lhe ensinaram, por todo tipo de coisa.

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Você não é a sua mente.
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